sábado, 11 de março de 2017

Rogério Gabriel: de estagiário a CEO da própria empresa


Rogério Gabriel: de estagiário a CEO da própria empresa.

A vida do empreendedor é cheia de percalços. Cair e levantar são partes do caminho e a estrada é longa e repleta de desafios. Mas, com persistência, disciplina e muita paixão é possível alcançar o sucesso.

Este é o caso de Rogério Gabriel, fundador e presidente do Grupo Prepara, uma maiores redes de franquias de educação do país. CEO da sua própria empresa, o executivo  comanda um time com mais de mil colaboradores, que inclui masteres, franqueados, vendedores, além de funcionários internos. Ele é um desses empresários natos que com muito esforço e trabalho, conseguiu colocar seus planos em prática.

Nascido em uma família de empreendedores do segmento alimentício, Rogério tinha como hobby predileto acompanhar seu pai nas negociações do comércio. Com esse hábito, nasceu o desejo de trilhar o mesmo caminho e se tornar dono do seu próprio negócio.

Apaixonado pela área tecnológica, Rogério se formou em Ciência da Matemática e Computação pela Unicamp. Neste período, ele estagiou em uma grande corporação do setor, em São José do Rio Preto. Com o bom desempenho em seu cargo, o estudante já era cogitado para trilhar um plano de carreira, em que poderia chegar à diretoria da empresa.

Mas, o desejo de se tornar patrão continuava vivo no empresário, Rogério pediu demissão e seu chefe o apoiou, pois sabia que o aprendiz teria muito sucesso na caminhada. Aos 25 anos, ele criou sua primeira empresa, a Precisão Informática, uma das maiores empresas do segmento no interior. Mas, em 2001, com o boom do setor, as margens começaram a ser pressionadas e, o que um dia foi inovador, se tornou commodity.

Com um prejuízo de R$10 milhões somado ao desejo de dar a volta por cima, a solução foi se reinventar. Em uma das salas da Precisão, onde eram oferecidos treinamentos corporativos de informática, o empreendedor percebeu uma grande oportunidade: oferecer cursos profissionalizantes para jovens de classes emergentes, que desejavam ingressar no mercado de trabalho.

Foi assim que, em 2004, Rogério Gabriel fundou a primeira unidade da Prepara Cursos, semente do Grupo Prepara, em Catanduva – interior de São Paulo. O empreendedor uniu a isso seu interesse por tecnologia, criando um método inovador, de ensino individualizado, que utilizasse essa ferramenta para melhorar o aprendizado dos alunos. O know-how em desenvolvimento de softwares facilitou o trabalho. Com esse modelo, era possível ter vários estudantes na mesma sala de aula, com computadores individuais, estudando em diferentes estágios de aprendizagem e no seu próprio ritmo. O negócio deu certo. Passou a ser lucrativo e um ano depois a segunda unidade era inaugurada em São José do Rio Preto, onde hoje fica a sede do Grupo Prepara.

Pouco tempo depois, Rogério decidiu expandir o negócio por meio do modelo de franquias. Os primeiros seis franqueados eram ex-funcionários que acreditaram no sonho do patrão e investiram as suas economias para abrir escolas da Prepara Cursos. Atualmente, a rede faz parte das 50 maiores marcas de franquias do país, sendo a 4ª maior empresa de educação,  com mais de 450 unidades.

Decidido a diversificar o portfólio, o Grupo Prepara criou, em 2012, a Ensina Mais, rede de apoio escolar que também utiliza a tecnologia, presente no DNA do Grupo, para ensinar português, matemática, inglês e informática para alunos do Ensino Fundamental. Com 100 unidades em operação, Rogério percebeu a necessidade de reformular o formato para impulsionar os negócios no mercado educacional. E neste ano,  a rede passou a operar como Programas Educacionais Ensina Mais Turma da Mônica, fruto de uma parceria com a Mauricio de Sousa Produções. O projeto que traz uma nova metodologia, material didático e toda infraestrutura imersa nas histórias dos personagens mais animados dos gibis, oferece as crianças um ensino baseado nas novas tendências educacionais do Século 21. 

O Grupo Prepara também ampliou sua atuação no segmento de ensino de idiomas. Em parceria com a Linguaphone Group, trouxe ao Brasil a Pingu’s English, que oferece inglês para crianças de 2 a 10 anos.  O curso se baseia na facilidade de aprendizagem observada na primeira infância, momento em que as crianças desenvolvem a fala, escrita, leitura e escuta das línguas.  Atualmente, a rede já possui 8 unidades em território nacional.

Voltada para o público jovem e adulto e com metodologia híbrida inovadora, utilizada pelas maiores universidades do mundo e inédita no Brasil, a English Talk é a quarta marca do grupo e adota as melhores práticas de interação presencial entre alunos e professores. A rede de inglês para jovens e adultos do Grupo Prepara já possui 6 unidades, situadas em São José do Rio Preto e Catanduva (interior), João Pessoa (PE), Guaratã do Norte (MT) e duas na capital de São Paulo: Tatuapé e Santana.

Com 800 franqueados e um faturamento de R$305 em 2016, a rede tem a perspectiva de crescer 20% neste ano.

Empreendedor Endeavor

Em 2012, Rogério Gabriel se tornou empreendedor Endeavor, uma das principais organizações de fomento ao empreendedorismo no mundo. E o Grupo Prepara foi um dos dez cases que a entidade escolheu para publicar em seu novo livro, o #VQD – VAI QUE DÁ, que chegou às livrarias em setembro de 2014.

O livro traz a história de dez empreendedores brasileiros que transformaram o sonho de empreender em empresas de alto impacto na sociedade.

Sua história empreendedora também foi contada, neste ano,  no livro “50 Anos Unicamp– Uma história de inovação e empreendedorismo”. A obra foi lançada para comemorar os 50 anos da Universidade Estadual de Campinas. O exemplar está disponível na biblioteca da instituição.

 Texto e imagem reproduzidos do site: amagiadomundodosnegocios.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ex-cortadora de cana conta como ganhou o seu primeiro milhão


Publicado originalmente no site Economia/IG, em 13/12/2016.

Ex-cortadora de cana conta como ganhou o seu primeiro milhão.
Por Flávia Denone.

De cortadora de cana a dona de uma loja virtual que fatura mais de R$ 1,8 milhão. Essa é a história de Sabrina Nunes, fundadora da Francisca Joias.

A vontade de vencer na vida sempre foi o foco de Sabrina Nunes, mesmo antes de descobrir sua vocação em empreendedorismo. Após se formar em Serviço Social e não conseguir emprego na área em Itinga, Minas Gerais, ela seguiu para Mato Grosso do Sul com a promessa de trabalhar em uma usina. “Em época de colheita meu padrasto seguia com outros trabalhadores para colher cana e fui junto em uma dessas viagens”, disse a empresária.

Ao chegar lá, a oportunidade de trabalhar na usina não aconteceu e Sabrina foi para a colheita de cana-de-açucar. “Fiquei pouco menos de um ano trabalhando como cortadora de cana, até que veio a oportunidade de trabalhar na usina, dessa vez como secretária”, explicou ela que até então nada sabia sobre empreendedorismo.

Sabrina contou ao Brasil Econômico que, no período em que trabalhou como secretária no Mato Grosso do Sul, se interessou pela engenharia, foi então que tentou uma bolsa para fazer a segunda universidade. “Ao ver o trabalho e o salário dos engenheiros que trabalhavam na usina me interessei pela área e fui atrás de uma bolsa de estudos”.

Sabrina Nunes afirmou que conseguiu ingressar na faculdade de engenharia pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni). “Consegui a vaga no Prouni no Rio de Janeiro. Deixei tudo para trás e fui pro Rio estudar”, enfatizou a empresária.

A grande ideia.

Os brincos são os itens mais vendidos na loja virtual Francisca joias
Já na cidade maravilhosa e mais uma vez em busca de uma vida melhor, Sabrina ao ver uma reportagem sobre o marketplace de artesanatos Elo7, se interessou e passou então a vender semijoias pelo canal. “Investi R$ 300 em e-mail marketing e faturei R$ 3 mil, foi ai que eu descobri que o marketing digital funcionava”.

Após dois anos se desdobrando entre o trabalho na Pontifícia Universidade Católica – Rio e estudando engenharia na Universidade Gama Filho, Sabrina resolveu deixar tudo para trás e criar a sua loja virtual de semijoias. “Joguei tudo para o alto e montei o site Francisca Joias”, enfatizou a empresária que pretende fechar 2016 com R$ 2,5 milhões em faturamento.

O nome Francisca Joias é em homenagem a sua avó e hoje 30% da fabricação das peças vendidas na loja virtual é própria. “Os produtos que precisam de banho (de prata ou ouro) são terceirizados. As peças são produzidas por mulheres e isso fomenta o empreendedorismo feminino”, enfatiza a fundadora da Francisca Joias.

Venda direta.

Além da venda online, a empresária explicou que outra forma de rentabilizar a sua marca foi trabalhar com a venda direta. “Trabalhamos no varejo e no atacado. Hoje temos mais de 550 revendedoras que compram no atacado com desconto de 40% nas peças e revendem a um valor maior”, disse ao Brasil Econômico.

Mesmo em ano de crise Sabrina Nunes afirmou ter crescimento em vendas e vê nas redes sociais o melhor canal de divulgação de sua marca e para ensinar empreendedorismo para outras mulheres. “Temos um canal no Youtube, em que ensino técnicas de vendas a nossas parceiras, como elas podem melhorar o atendimento, a importância do uso da máquina de cartão para comodidade de suas clientes, entre outras dicas de empreendedorismo”, disse ao que completou. “Temos muitos fãs no Facebook e no Instagram e nesses canais prezamos pelo atendimento diferenciado”, enfatizou a empresária que diz crescer sua operação em 10% ao mês vendendo semijoias.

Texto e imagem reproduzidos do site: economia.ig.com.br

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Palestra com Geraldo Rufino

Empresário criou primeiro negócio aos 11 anos...

Rufino com os filhos na sede da JR Diesel.

Publicado originalmente no site do ESTADÃO, em 29 Abril 2014.

Empresário criou primeiro negócio aos 11 anos na comunidade onde morava.

Cris Olivette.

O talento empreendedor pode ser desenvolvido, mas em alguns casos é um dom natural. A história do fundador da JR Diesel, Geraldo Rufino, não deixa dúvidas. Aos 55 anos, comanda 150 pessoas e fechou 2013 faturando R$ 50 milhões.

“Arrumei um jeito de ganhar dinheiro aos 11 anos. Pegava latinhas em um aterro instalado perto da Favela do Sapé (na zona oeste de São Paulo), onde morava com meu pai e irmãos. ” O dinheiro da venda de latinhas foi investido na criação de um campo de futebol na comunidade. “Pedi autorização à Prefeitura para montar o campo em um terreno que havia no local. Comprei traves, uniformes e passei a administrar a locação do espaço e dos uniformes.“

O faro empreendedor, não parou por aí. “Construí uma frota de carrinhos de madeira, que alugava para outros meninos fazerem carreto nas feiras. ” Ao ser contratado para trabalhar no Playcenter, Rufino tinha 14 anos e já havia comprado um Fusca. “Certo ou errado, meus negócios tinham rendido o suficiente para comprar o carro. “

No Playcenter, trabalhou durante 15 anos, começando como office boy. “Meus chefes me fizeram voltar à escola. Cheguei a entrar na faculdade, mas trabalhava 16 horas de segunda a domingo e tive de optar. Como já era apaixonado por ganhar dinheiro, parei de estudar. “

Enquanto trabalhava no Playcenter, Rufino pensava em criar um pequeno negócio para ter a sensação de segurança. “Resolvi comprar uma Kombi e dar para meus irmãos fazerem carretos. Com o tempo, dei um caminhão para cada um. Por ironia do destino, eles se envolveram, simultaneamente, em um acidente. Era hora de recomeçar e criei um novo negócio. “

Aproveitando as partes que sobraram dos dois caminhões, Rufino criou uma empresa para reciclar veículos desse tipo envolvidos em acidentes e comercializar suas peças. “O negócio engrenou, meus irmãos se empolgaram com o dinheiro e perderam o foco. Compraram sítio, gado, e acabaram quebrando a empresa, que estava em meu nome. “

Para saldar as dívidas e limpar o nome, Rufino deixou, temporariamente, o Playcenter para reorganizar a empresa. “Feito isso, não tive coragem de vender o negócio e demitir seis funcionários. Acabei conciliando as duas atividades, até ficar totalmente envolvido e ter de deixar o emprego. “

Em 1987, aos 29 anos, Rufino deixou o cargo de diretor das Playlands instaladas em todo o Brasil, e começou a fazer uma coisa diferenciada em sua empresa. “Apesar de todos acharem um absurdo desmontar um caminhão Mercedes, eu acreditava que desmanchar coisas de qualidade era uma forma de atingir empresas mais estruturadas, que poderiam dar sustentação ao negócio. “

Mais uma vez estava certo. Ele conta que um caminhão com 10 anos de uso é considerado novo. “Nossa média para desmontar um caminhão são seis anos e o limite são 15 anos. Só compramos de pessoa jurídica porque o segmento é delicado, não podemos correr riscos. “

Texto e imagem reproduzidos do site: economia.estadao.com.br

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Por que fazemos o que fazemos?



Publicado originalmente no site da BBC Brasil, em 3 de agosto de 2016.

Bem-formada, nova geração chega mal-educada às empresas, diz filósofo.

Ingrid Fagundez
Da BBC Brasil em São Paulo

Cortella lança o livro "Por que fazemos o que fazemos?" sobre a busca de propósito no trabalho

Segunda-feira, seis da manhã. O despertador toca e você não quer sair da cama. Está cansado? Ou não vê sentido no que faz?

Na introdução de seu novo livro, o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella coloca em poucas palavras o questionamento central da obra Por que fazemos o que fazemos? Lançada em julho, ela trata da busca por um propósito no trabalho, uma das maiores aflições contemporâneas.

Em entrevista à BBC Brasil, Cortella, também doutor em Educação e professor, fala como um mundo de múltiplas possibilidades levou as pessoas a negarem ser apenas uma peça na engrenagem.

O filósofo explica como a combinação de um cenário imediatista, anos de bonança e pais protetores fez com que a "busca por propósito" dos jovens seja muitas vezes incompatível com a realidade.

"No dia a dia, eles se colocam como alguém que vai ter um grande legado, mas ficam imaginando o legado como algo imediato."

O dilema da geração Y na crise: Voltar a estudar ou aceitar 'qualquer coisa'?

Essa visão "idílica", afirma, transforma escritórios e salas de aula em palcos de confronto entre gerações. "Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada. Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela."

Leia os principais trechos da entrevista abaixo:

BBC Brasil - O que desencadeou a volta da busca pelo propósito?

Mario Sergio Cortella - A primeira coisa que desencadeou foi um tsunami tecnológico, que nos colocou tantas variáveis de convivência que a gente fica atordoado. A lógica para minha geração foi mais fácil. Qual era a lógica? Crescer, estudar. Era escola, e dependendo da tua condição, faculdade. Não era comunicação em artes do corpo. Era direito, engenharia, tinha uma restrição. Essa overdose de variáveis gerou dificuldade de fazer escolhas. Isso produz angústia em relação a esse polo do propósito. Por que faço o que estou fazendo? Faço por que me mandam ou por que desejo fazer? Tem uma série de questões que não existiam num mundo menos complexo. Não foi à toa que a filosofia veio com força nos últimos vinte anos. Ela voltou porque grandes questões do tipo "para onde eu vou?", "quem sou eu?", vieram à tona.

BBC Brasil - Podemos dizer que nesse contexto vai ser cada vez menor o número de pessoas que não tem esses questionamentos?

Mario Sergio Cortella - Cada vez menor será o número de pessoas que não se incomoda com isso. O próprio mundo digital traz o tempo todo, nas redes sociais, a pergunta: "por que faço o que faço?", "por que tomo essa posição?". E aquilo que os blogs e os youtubers estão fazendo é uma provocação: seja inteiro, autêntico. É a expressão "seja você mesmo", evite a vida de gado.

BBC Brasil - No seu livro, você fala da importância do reconhecimento no trabalho. Qual é ela?

Mario Sergio Cortella - O sentir-se reconhecido é sentir-se gostado. Esse reconhecimento é decisivo. A gente não pode imaginar que as pessoas se satisfaçam com a ideia de um sucesso avaliado pela conquista material. O reconhecimento faz com que você perca o anonimato em meio à vida em multidão. No fundo, cada um de nós não deseja ser exclusivo, único, mas não quer ser apenas um. Eu sou um que importa. E sou assim porque é importante fazer o que faço e as pessoas gostam.

BBC Brasil - Pelo que vemos nas redes sociais, os jovens estão trazendo essa discussão de forma mais intensa. Você percebeu isso?

Mario Sergio Cortella - Há algum tempo tenho tido leitores cada vez mais jovens. Como me tornei meio pop, é comum estar andando num shopping e um grupo de adolescentes pedir para tirar foto.Uma parcela dessa nova geração tem uma perturbação muito forte, em relação a não seguir uma rota. E não é uma recuperação do movimento hippie, que era a recusa à massificação e à destruição, ao mundo industrial. Hoje é (a busca por) uma vida que não seja banal, em que eu faça sentido. É o que muitos falam de 'deixar a minha marca na trajetória'. Isso é pré-renascentista. Aquela ideia do herói, de você deixar a sua marca, que antes, na idade média, era pelo combate. O destaque agora é fazer bem a si e aos outros. Não é uma lógica franciscana, o "vamos sofrer sem reclamar". É o contrário. Não sofrer, se não for necessário. Uma das coisas que coloco no livro é que não há possibilidade de se conseguir algumas coisas sem esforço. Mas uma das frases que mais ouço dos jovens, e que para mim é muito estranha, é: quero fazer o que eu gosto.

BBC Brasil - Esse é um pensamento comum entre os jovens quando se fala em carreira?

Mario Sergio Cortella - Muito comum, mas está equivocado. Para fazer o que se gosta é necessário fazer várias coisas das quais não se gosta. Faz parte do processo. Adoro dar aulas, sou professor há 42 anos, mas detesto corrigir provas. Não posso terceirizar a correção, porque a prova me mostra como estou ensinando. Não é nem a retomada do 'no pain, no gain' ('sem dor, não há ganho'). Mas é a lógica de que não dá para ter essa visão hedonista, idílica, do puro prazer. Isso é ilusório e gera sofrimento.

BBC Brasil - O sofrimento seria o choque da visão idílica com o que o mundo oferece?

Mario Sergio Cortella - A perturbação vem de um sonho que se distancia no cotidiano. No dia a dia, a pessoa se coloca como alguém que vai ter um grande legado, mas fica imaginando o legado como algo imediato. Gosto de lembrar uma história com o Arthur Moreira Lima, o grande pianista. Ao terminar uma apresentação, um jovem chegou a ele e disse 'adorei o concerto, daria a vida para tocar piano como você'. Ele respondeu: 'eu dei'. Há uma rarefação da ideia de esforço na nova geração. E falo no geral, não só da classe média. Tivemos uma facilitação da vida no país nos últimos 50 anos - nos tornamos muito mais ricos. Isso gerou nas crianças e jovens uma percepção imediatizada da satisfação das necessidades. Nas classes B e C têm menino de 20 anos que nunca lavou uma louça.

BBC Brasil - Quais as consequências dessa visão idealizada?

Mario Sergio Cortella - Uma parte da nova geração perde uma visão histórica desse processo. É tudo 'já, ao mesmo tempo'. De nada adianta, numa segunda-feira, castigar uma criança de cinco anos dizendo: sábado você não vai ao cinema. A noção de tempo exige maturidade. Vejo na convivência que essa geração tem uma visão mais imediatista. Vou mochilar e daí chego, me hospedo, consigo, e uma parte disso é possível pelo modo que a tecnologia favorece, mas não se sustenta por muito tempo. Quando alguns colocam para si um objetivo que está muito abstrato, sofrem muito. Eu faço uma distinção sempre entre sonho e delírio. O sonho é um desejo factível. O delírio é um desejo que não tem factibilidade.

BBC Brasil - Muitos deliram nas suas aspirações?

Mario Sergio Cortella - Uma parte das pessoas delira. Ela delira imaginando o que pode ser sem construir os passos para que isso seja possível. Por que no campo do empreendedorismo existe um nível de fracasso muito forte? Porque se colocou mais o delírio do que a ideia de um sonho. O sonho é aquilo que você constrói como um lugar onde quer conquistar e que exige etapas para chegar até lá, ferramentas, condições estruturais. O delírio enfeitiça.

BBC Brasil - Qual é o papel dos pais para que a busca pelo propósito dos jovens seja mais realista?

Mario Sergio Cortella - Alguns pais e mães usam uma expressão que é "quero poupar meus filhos daquilo que eu passei". Sempre fico pensando: mas o que você passou? Você teve que lavar louça? Ou está falando de cortar lenha? Você está poupando ou está enfraquecendo? Há uma diferença. Quando você poupa alguém é de algo que não é necessário que ele faça. Tem coisas que não são obrigatórias, mas são necessárias. Parte das crianças hoje considera a tarefa escolar uma ofensa, porque é um trabalho a ser feito. Ela se sente agredida que você passe uma tarefa. Parte das famílias quer poupar e, em vez de poupar, enfraquece. Estamos formando uma geração um pouco mais fraca, que pega menos no serviço. Não estou usando a rabugice dos idosos, 'ah, porque no meu tempo'. Não é isso, é o meu temor de uma geração que, ao ser colocada nessa condição, está sendo fragilizada.

BBC Brasil - Sempre lemos e ouvimos relatos de conflitos entre chefes e subordinados, alunos e professores. Como se explicam esses choques?

Mario Sergio Cortella - Criou-se um fosso pelo seguinte: crianças e jovens são criados por adultos, que são seus pais e mantêm com eles uma relação estranha de subordinação. A geração anterior sempre teve que cuidar da geração subsequente e essa vivia sob suas ordens. A atual geração de pais e mães que têm filhos na faixa dos dez, doze anos, é extremamente subordinada. Como há por parte dos pais uma ausência grande de convivência, no tempo de convivência eles querem agradar. É a inversão da lógica. Eu queria ir bem na escola para os meus pais gostarem, não era só uma obrigação. Essa lógica faz com que, quando o jovem vai conviver com um adulto que sobre ele terá uma tarefa de subordinação, na escola ou trabalho, haja um choque. Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada. Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela. Obviamente que ela também chega com uma condição magnífica, que é percepção digital, um preparo maior em relação à tecnologia.

Texto e imagens reproduzidos do site: bbc.com

sábado, 14 de maio de 2016

Bel Pesce fala sobre talento para o empreendedorismo

Bel Pesce dá dicas sobre o mundo do empreendedorismo.
Foto: Portal Infonet.

Infonet > Educação > Noticias > 12/05/2016.

Bel Pesce fala sobre talento para o empreendedorismo.

Empresária volta a Aracaju para dar palestra a universitários.

Com um vasto conhecimento na área do empreendedorismo, graduações nos cursos de engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática e proprietária da escola de empreendedorismo e habilidade FazINOVA, Bel Pesce é uma das jovens mais influentes nas redes sociais. Além de percorrer um caminho de sucesso até a fundação da sua escola– passando por empresas como a Microsoft, Google e Deutsche Bank, Bel é autora ainda de três livros.

Ela retorna a Aracaju para ministrar uma aula sobre seus conhecimentos no empreendedorismo para uma comunidade universitária, dando dicas, descobrindo e estimulando novos talentos. Ao Portal Infonet ela contou sobre o seu trabalho e peculiaridades do mundo do empresário.

Confira o vídeo:

Texto, foto e vídeo reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Rogério Gabriel conta sua história empreendedora


10 Histórias de Empreendedores de Sucesso. 

Qual seria o melhor sinônimo para empreender? Quando ouve essa pergunta, Jorge Paulo Lemann, um dos maiores empreendedores do país, responde "vai que dá"!

Ele e Beto Sicupira assinam os prefácios do segundo livro publicado pela Endeavor no Brasil, que conta as histórias de 10 empreendedores que superaram dificuldades e transformaram sonhos grandes em negócios de alto impacto. O livro foi escrito por Joaquim Castanheira e editado pela Portfolio Penguim, sob encomenda da Endeavor e da Integration. Os empreendedores retratados são:


 
Rogério Gabriel, do Grupo Prepara.
Foto reproduzida do site: 
diarioweb.com.br

Rogério Gabriel conta sua história empreendedora e quais foram os principais desafios que o levou a tornar o Grupo Prepara um dos maiores grupos nacionais de educação do país

Vencer no mercado de educação é um privilégio, especialmente para quem faz com que suas marcas figurem entre as 10 microfranquias que mais crescem no país, segundo ranking 2014 da ABF (Associação Brasileira de Franchising). Essa foi uma das grandes conquistas de Rogério Gabriel, fundador do Grupo Prepara – rede nacional de educação que fatura quase R$ 300 milhões e possui mais de 800 unidades em todo país. O empreendedor que se tornou Endeavor em 2012 é reconhecido internacionalmente por sua trajetória e conta sua história no #VQD - VAI QUE DÁ.

Escrito com o objetivo de inspirar uma nova geração de empreendedores de alto impacto no Brasil, a obra é uma idealização da Endeavor, uma das principais organizações de fomento ao empreendedorismo no mundo. Feito em parceria com a Integration e publicado pela Portfolio/Penguin, conta as histórias de 10 empreendedores que estão transformando o país com seus negócios. Organizada por Joaquim Castanheira, a obra já está à venda nas principais livrarias do país.

Em seu capítulo, Rogério Gabriel conta quais foram os grandes desafios em empreender e o que levou o Grupo Prepara a ser um dos maiores grupos nacionais de educação do país.

“É uma grande honra poder contribuir e contar a minha história junto com outros grandes empreendedores de sucesso. Espero que a obra sirva de inspiração, encoraje e estimule todos que desejam se tornar donos do próprio negócio”, declara Rogério.

Formado em Ciência da Matemática e Computação pela Unicamp e com MBA em Marketing pela FGV, Rogério era empreendedor no mercado de informática e sua empresa figurava entre as 100 maiores e melhores de TI do Brasil, sendo líder na região onde atuava, em São José do Rio Preto (SP). Sem fôlego para competir com grandes varejistas, Rogério teve que fechar as portas. Foi então que, na pequena sala de treinamento instalada na sede de sua antiga empresa, vislumbrou a Prepara Cursos, primeira marca do Grupo Prepara.

O negócio deu certo e hoje o Grupo é detentor das redes Prepara Cursos, Ensina Mais complemento Escolar e da recém-lançada English Talk. Além de funcionários que se tornaram franqueados, Rogério tem um legado de colaboradores que o acompanha há quase 20 anos. Por essas e por outras, o time do Grupo se intitula como a família Prepara e Rogério só tem a comemorar.

Entre as grandes premiações das marcas, está a da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, que reconheceu a Prepara Cursos por três anos como a Melhor Franquia do Brasil. Além disso, o Grupo Prepara conquistou o Selo de Excelência em Franchising - SEF 2014, da ABF, e o prêmio TOP 25 do Franchising Brasileiro, do Grupo Bittencourt.  Eles também foram considerados pela revista Exame PME uma das PMEs que mais crescem no Brasil.

Fontes:

Site: info.endeavor.org.br
Site: grupoprepara.com.br

domingo, 10 de março de 2013

Como a "inteligência social" pode alavancar sua carreira

Thinkstock/Getty Images
Inteligência social é a capacidade de se relacionar com
 as pessoas e fazer com que as reações sejam empáticas

Como a "inteligência social" pode alavancar sua carreira

Ter bons relacionamentos ajuda a ganhar pontos no ambiente de trabalho.
 Veja as dicas dos especialistas.

Por Verônica Mambrini, iG São Paulo.

Que tal transformar todas as horas gastas em redes sociais num instrumento poderoso para achar uma oportunidade de trabalho incrível? Já pensou em usar sua habilidade como ombro amigo para conseguir um aumento? Habilidades como essas tornam-se competências fundamentais para avaliar sua inteligência social , um conceito novo definido como a capacidade de lidar com as outras pessoas e entender os sentimentos alheios.

 Cada vez mais valorizadas em ambientes de trabalho, as habilidades sociais podem ser a diferença entre crescer profissionalmente ou permanecer estagnado . “Se um gênio acadêmico ou técnico aumenta sua habilidade social, torna-se um profissional imbatível”, afirma Alexandre Bortoletto, instrutor da SBPNL – Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística.

O conceito é um desdobramento e uma ampliação da teoria das inteligência múltiplas do psicólogo norteamericano da Universidade de Harvard, Howard Gardner. No livro "Estruturas da Mente", Gardner descreve inteligência como a capacidade humana de criar e de resolver problemas e afirma que existem vários tipos de inteligência, todos igualmente importantes.

A teoria das inteligências múltiplas já deu origem a pelo menos um best seller, " Inteligência emocional ", de Daniel Goleman, que fez sucesso nos anos 1990 .

Nesse seu novo livro “Inteligência Social ”, Daniel Goleman, afirma que o modo como interagimos influencia nosso comportamento e o funcionamento do corpo, com impactos até na neuroquímica do humor, por exemplo. Além de literalmente, fazer bem para nós, valores positivos, como empatia, altruísmo e generosidade têm poder de nos conectar com outras pessoas e trazem ganhos sociais. E a melhor maneira de desenvolvê-los é praticando. “Mudanças grandes de ambiente são necessárias para desenvolver habilidades sociais”, diz Bortoletto.

A professora doutora da FEA-SP e coordenadora do Programa de Vida e Carreira, Tânia Casado, no entanto, embora cautelosa em relação a 'termos da moda', concorda. Habilidades sociais, interesse pelos outros e capacidade de estabelecer relações são e sempre foram importantes nas empresas.

Agora preste atenção nas dicas dos especialistas para melhorar suas habilidades sociais no trabalho

Tente imaginar como as pessoas vêem você

Não existe um padrão para uma apresentação pessoal correta: isso depende do meio profissional. Terno bem cortado, postura e linguagem formal podem destoar num ambiente mais descolado, como uma agência de design. A regra é mimetizar. Se quiser ser sempre convidado para o almoço com o pessoal do escritório (e lembrado em projetos e indicações para vagas no futuro), preste atenção na forma que as pessoas se vestem, falam e os assuntos preferidos. Mesmo que não sejam os seus, vale a pena fazer pequenos ajustes.

Além do networking, tente causar impressões positivas

Fazer e manter contatos profissionais são componentes da inteligência social, mas não dizem tudo. Todo contato precisa ser associado a uma experiência positiva com o outro. Emails ou ligações inconvenientes podem mais fazer estrago do que trazer benefícios.

Ter um elogio pertinente a algum trabalho recente na ponta da língua ou fazer um comentário interessante podem ajudar o outro a lembrar de você positivamente. “Não significa bajular. A melhor forma de não ser mal interpretado é ter um plano de ação para seu crescimento pessoal”, diz Richeli Sachetti, coach e instrutora da Sociedade Brasileira de Coaching.

Empatia é a palavra-chave para se aproximar de alguém. “Se uma pessoa que fala muito rápido, ao conversar com uma outra, que fala muito devagar, conseguir desalecerar, também vai conseguir entrar na mesma sintonia do outro”, lembra Alexandre. É o tal do “rapport”, expressão francesa que significa estabelecer uma conexão. Uma dica de João Oliveira é escutar mais do que falar. “A briga começa porque alguém interrompe o outro. Quem tem escuta passiva é amigo de todo mundo”, diz o especialista.
A professora Tania Casado lembra que o sucesso de uma rede profissional depende da simetria na relação.
“Ninguém constrói uma rede sem ter reputação e reciprocidade. Não adianta querer que a rede se mobilize a seu favor, se você não se coloca a disposição dela”, afirma. Ou seja, é preciso ser generoso e disponível para poder contar com os outros. “Isso transmite éticas e valores, porque ninguém chega lá sozinho”, lembra Sachetti.

Mantenha-se conectado com o mundo e use as redes sociais com inteligência

Redes sociais são uma ótima oportunidade para alimentar a engrenagem social a favor da carreira. São um poço de informações sobre cultura organizacional das empresas, perfis profissionais e pessoais, que podem ser usadas para estreitar laços e se adaptar a ambientes. Como num happy-hour, o clima é informal e mais próximo, mas deve-se ter cuidado com gafes, já que o vexame online nem sempre pode ser deletado.
É importante saber ser relevante também. “Quem não tem algum amigo que só posta bobagens? Correntes, solicitações, recomendações: as pessoas perderam a noção e abusam, tratam a rede de relacionamentos com pouco respeito”, afirma Tania. Postar conteúdo de qualidade e ser atencioso com as pessoas é o melhor caminho para se tornar referência e ganhar influência.

Descubra o que o seu corpo fala

João Oliveira, autor do livro “ Saiba Quem Está à Sua Frente ” (Wak Editora), é especialista em linguagem corporal e dá cinco dicas para você pôr em prática no trabalho. “A mais importante é mover menos as mãos. Quem mexe muito as mãos demonstra ignorância linguística, faltam símbolos verbais” , diz Oliveira. Sorrir é importante, mesmo que o sorriso não seja 100% espontâneo. “As pessoas correspondem”, diz. Mantenha a postura e o ângulo da cabeça em 90º. “Isso demonstra que você é seguro de si.” Ao andar, o ideal é não balançar os braços. Por fim, numa entrevista ou reunião, não bloqueie com bolsa e objetos o caminho entre você e o interlocutor.

Saiba falar, ouvir e, sobretudo, perguntar

Feedback no fundo é como um jogo onde é preciso saber falar, ouvir e perguntar. “Se eu me relaciono bem, escuto melhor meu colega, recebo e dou feedback melhor”, afirma Bortoletto. Richeli Sachetti, coach e instrutora da Sociedade Brasileira de Coaching, afirma que muitas vezes saber onde melhorar é um enigma. “Quando a pesssoa não sabe em qual aspecto ela precisa melhorar, precisa pedir feedbacks específicos” , diz Sachetti. Em outras palavras, quanto mais concretos os exemplos de atitudes e comportamentos que devem ser trabalhados, maiores as chances do feedback trazer mudanças concretas. É preciso saber falar e ouvir de forma racional, de maneira não ofensiva e sem levar comentários para o lado pessoal. “Receber e dar feedbacks são dois lados do mesmo aprendizado. Quem sabe receber críticas e feedback também sabe dar feedback. Eu melhoro para ouvir quando eu aprendo a falar”, recomenda Bortoletto.

Texto e foto reproduzidos do site: delas.ig.com.br